sexta-feira, 20 de abril de 2018

Sopro e Fumaça: Avicii se foi, mas deixou um pouco de Eclesiastes em sua música




Nunca fui muito ligado no eletrônico e eletropop. Nunca foi meu gênero favorito de música. Consequentemente, nunca fui ligado em DJs, embora conheça de nome alguns dos mais famosos, como David Guetta, Armin Van Buuren, Martin Garrix e The Chainsmokers. Um dos poucos que eu conheço de nome é o Avicii, o único que eu já escutei mais de uma música, várias vezes. Já já explico por quê. Hoje entrei no Facebook para desejar feliz aniversário para minha irmã, nascida num dia 20 de Abril há 22 anos, e me deparei com a notícia de que Avicii havia morrido. Nome real: Tim Bergling. Data de Nascimento: 8 de Setembro de 1989 Idade: 28 anos. Pouco mais de um ano mais velho do que eu. Quando li a notícia sobre sua morte, algo mexeu dentro de mim.

sexta-feira, 30 de março de 2018

[Resenha] "Azul" is the New Black

Para ler ouvindo: "Azul" - O Bairro Novo 

Capa maravilhosa desenhada pelo Gabriel Gruber (membro da banda) e desenhada pelo Lobo (vá na page da banda e leia o texto que ele escreveu sobre a capa).

A cor azul é uma das mais versáteis de todas. Quando estudamos a psicodinâmica das cores, vemos que o azul, uma cor fria, passeia entre a tristeza e a tranquilidade, passando pela confiança e o mistério, a profundidade e a superfície. O céu é azul nos dias claros e alegres, mas as noites de lua são azuladas em sua melancolia e mistério.
Talvez por causa dessa abrangência que "Azul" seja a faixa certa pra dar título ao debut álbum da banda "O Bairro Novo".

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

J. K. Rowling e o Mundo Mágico da Decepção



Tem uma GALERA na internet decepcionada com JK Rowling, pois foi ela, através da filosofia por trás de seus personagens em Harry Potter, que ajudou a formar muito do pensamento deles. Pensamento este que agora não concorda mais com a escritora. Ela construiu personagens femininas fortes que desafiaram a cultura machista, mas de repente apoia um Johnny Depp acusado de agressão. Ela, claramente defensora das causas de minorias sociais, de repente não parece mais corajosa o suficiente para abordar a homossexualidade de Dumbledore de forma mais direta em "Os Crimes de Grindewald".
A decepção do pessoal é tão grande, que sua intensidade me surpreendeu.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

[Resenha] Mercury & Lightning, do John Mark McMillan: Uma nova religião ou uma nova vida?

Para ler ouvindo: Mercury & Lightning - John Mark McMillan


John Mark McMillan não faz música para curtir.
Não dá pra pegar um álbum dele e entender de cara o que ele quer dizer. Sua música exige uma certa dose de carga cultural, sensibilidade artística, tempo para se absorver os versos da poesia e uma boa dose de subjetividade e experiência.
Para alguns, esse tipo de álbum não é interessante. Não dá pra ouvir uma vez e entender e já escolher as músicas favoritas que vão pra playlist de viagem. Para outros, é estranho dizer que McMillan é um músico cristão. Ele não fala apenas de cristianismo, suas músicas não são de louvor congregacional, suas poesias nem sempre vão parecer música gospel. Isso é um problema pra muitos, principalmente aqueles que se incomodam com referências à cultura popular e a seres e mitologias que não fazem parte do que é culturalmente cristão.

E isso é exatamente o que "Mercury & Lightning", lançado no dia primeiro de Setembro de 2017, faz. Há o nome de um deus da mitologia greco-romana, Mercúrio, no título do álbum. Aliás, há uma estátua desse deus na capa do disco. A faixa título inicia a experiência com uma afirmação provocadora: "eu preciso de uma nova religião ou de uma nova vida".

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Rock cristão: filho pródigo ou bastardo?

Nota: Esse texto reunirá algumas informações já discutidas em textos anteriores do blog, feitos para o dia do rock, para fins didáticos e acrescentará novas informações a estas.

Para Ler Ouvindo: Playlist "God Gave Rock'n Roll to You", com 100 clássicos do rock e do heavy metal cristão de artistas importantes para a cena. A primeira parte é internacional, as 15 ultimas músicas são clássicos do rock cristão nacional.

Estava o Kiss certo ao cantar que Deus concedeu rock'n roll como uma bênção a todos?
Desde que o gênero surgiu, muito se discute sobre a paternidade do rock'n roll e seus inúmeros subgêneros. A frase mais ouvida pelos brasileiros é "O diabo é o pai do rock", graças a uma música do Raul Seixas. No decorrer dos anos após seu surgimento, o rock se tornou um símbolo de rebeldia e resistência contra o conservadorismo, sobretudo na ascensão da contracultura hippie nos anos 60 e 70. Como o status quo envolvia a religião cristã, muitos artistas não só queriam se distanciar do cristianismo, mas fazia uma associação de imagem com figuras anti-cristãs, chegando mesmo a adotar toda uma identidade visual ligada a cultos satânicos.
Mas também não é segredo pra ninguém que as raízes da música gospel norte-americana e do rock se confundem e estão intimamente ligadas uma a outra. E foi baseando-se nisso que muitas bandas de rock cristão surgiram nos anos 70 e 80 e se colocaram no meio do tiroteio: de um lado, os "roqueiros" que abominavam a ideia de uma banda que unisse o estilo transgressor deles com mensagens do cristianismo conservador, do outro os cristãos conservadores que abominaram a ideia de se misturar a sagrada mensagem divina com o profano rock'n roll.
Isso fez com que o rock cristão se tornasse, por muito tempo, um estilo underground, oscilando entre dois pólos que sequer se davam ao trabalho de perguntar de quem a música rock com letras cristãs era filha realmente. Afinal, o rock cristão é um filho pródigo de Cristo ou um bastardo do Diabo?

Não Tenha Medo do Tempo

Créditos devidos: O texto abaixo foi baseado no conteúdo visto em sala com meu professor de Hebraico, Lucas Iglesias, e é uma adaptação da minha dissertação da prova final de Hebraico 3.


The Melting Watch, Salvador Dalí
Enquanto a física discute o tecido espaço-tempo e a relatividade, ao mesmo tempo em que diversas áreas da ciência estudam inúmeras formas de estender mais e mais a expectativa de vida do ser humano, a Bíblia está preocupada em mostrar à humanidade o Deus que a ela procura e com ela estabelece aliança.
Quando falamos de tempo relacionado à nós, com frequência o tratamos como uma limitação. Lemos e ouvimos que o tempo é implacável, no sentido de que ele estabelece o nosso fim e não há absolutamente nada que possamos fazer para detê-lo. Para nós o relógio passa, o tempo urge. Ele é marcado pela proximidade e urgência da morte. A máxima do carpe diem é justamente nos lembrar de que, a qualquer momento, nosso tempo passará de uma forma que não passa para o que é eterno. É como se nosso tempo tivesse surgido apenas quando Deus disse para Adão e Eva que no dia em que comessem do fruto do conhecimento do bem e do mal, eles morreriam (Gênesis 2:17). Sentimos o tempo como o nosso carrasco, carrasco surgido como consequência do pecado.
Mas, na verdade, o tempo aparece na Bíblia antes da morte. Antes do pecado.

domingo, 16 de abril de 2017

O Sábado do Silêncio



Uma vez por ano, como tradição, comemoramos a Sexta-Feira da Paixão e o Domingo de Páscoa em reconhecimento à eficácia do sacrifício de Cristo que João chama de “Cordeiro de Deus”.

Desde Gênesis, a Bíblia deixa claro que a consequência mais direta do pecado é a morte. Não apenas a consequência, mas a solução. A vergonha de Adão e Eva só é coberta pelas vestes de pele tecidas pelo próprio Deus (Genesis 3:21), a consequência do pecado de Caim é ainda mais grave, pois seu sacrifício não foi contrito e não foi aceito por Deus (Genesis 4), somente o Dilúvio pôde aplacar a maldade dos seres humanos (Genesis 6:5-8) e foi ao aspirar “aroma suave” do sacrifício de Noé que Deus prometeu nunca mais amaldiçoar a terra por causa do homem e enviar outro dilúvio (Genesis 8:20-22). O sangue nos umbrais e nas vigas das portas foi o que impediu a morte de alcançar as famílias de Israel no Egito e essa mesma morte libertou-os da escravidão (Êxodo 12) – elementos que mais tarde seriam usados por João ao retratar Cristo como o Cordeiro de Deus cujo sangue nos cobre e nos livra da escravidão do pecado e também da morte (João 1:29; 6:51, 54, 56; 8:33-35; 51; 19:29, 33-37 – relacionado a Êxodo 12:46). O sacrifício de Cristo na Sexta-Feira da Paixão derramou o sangue necessário para a remissão de pecados (Hebreus 9:22) e a sua ressurreição no Domingo de Páscoa foi a prova definitiva de que através dele a morte foi vencida.

Mas entre um dia e outro, há um dia esquecido. Um dia que ninguém lembra, um dia que só é citado nos relatos da crucificação para justificar a retirada apressada dos corpos das cruzes. O Sábado. Embora na tradição católica este seja chamado o Sábado de Aleluia e geralmente é quando fazem os bonecos de Judas e os queimam, teologicamente, nos três dias que envolvem a morte e ressurreição de Jesus, o sábado é o dia do silêncio.
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