A contracultura do sex, drugs & rock'n roll trouxe uma sensação incrível de liberdade para a juventude dos anos 60 e 70. Prazer, êxtase e adrenalina em resposta a uma cultura conservadora e fundamentalista. Mas o que Jesus trouxe oferece muito mais do que entorpecentes para diminuir a dor e paz temporária: Ele oferece amor verdadeiro, salvação e uma mensagem que não apenas balança como música, mas transforma a alma...

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Rock cristão: filho pródigo ou bastardo?

Nota: Esse texto reunirá algumas informações já discutidas em textos anteriores do blog, feitos para o dia do rock, para fins didáticos e acrescentará novas informações a estas.

Para Ler Ouvindo: Playlist "God Gave Rock'n Roll to You", com 100 clássicos do rock e do heavy metal cristão de artistas importantes para a cena. A primeira parte é internacional, as 15 ultimas músicas são clássicos do rock cristão nacional.

Estava o Kiss certo ao cantar que Deus concedeu rock'n roll como uma bênção a todos?
Desde que o gênero surgiu, muito se discute sobre a paternidade do rock'n roll e seus inúmeros subgêneros. A frase mais ouvida pelos brasileiros é "O diabo é o pai do rock", graças a uma música do Raul Seixas. No decorrer dos anos após seu surgimento, o rock se tornou um símbolo de rebeldia e resistência contra o conservadorismo, sobretudo na ascensão da contracultura hippie nos anos 60 e 70. Como o status quo envolvia a religião cristã, muitos artistas não só queriam se distanciar do cristianismo, mas fazia uma associação de imagem com figuras anti-cristãs, chegando mesmo a adotar toda uma identidade visual ligada a cultos satânicos.
Mas também não é segredo pra ninguém que as raízes da música gospel norte-americana e do rock se confundem e estão intimamente ligadas uma a outra. E foi baseando-se nisso que muitas bandas de rock cristão surgiram nos anos 70 e 80 e se colocaram no meio do tiroteio: de um lado, os "roqueiros" que abominavam a ideia de uma banda que unisse o estilo transgressor deles com mensagens do cristianismo conservador, do outro os cristãos conservadores que abominaram a ideia de se misturar a sagrada mensagem divina com o profano rock'n roll.
Isso fez com que o rock cristão se tornasse, por muito tempo, um estilo underground, oscilando entre dois pólos que sequer se davam ao trabalho de perguntar de quem a música rock com letras cristãs era filha realmente. Afinal, o rock cristão é um filho pródigo de Cristo ou um bastardo do Diabo?

Não Tenha Medo do Tempo

Créditos devidos: O texto abaixo foi baseado no conteúdo visto em sala com meu professor de Hebraico, Lucas Iglesias, e é uma adaptação da minha dissertação da prova final de Hebraico 3.


The Melting Watch, Salvador Dalí
Enquanto a física discute o tecido espaço-tempo e a relatividade, ao mesmo tempo em que diversas áreas da ciência estudam inúmeras formas de estender mais e mais a expectativa de vida do ser humano, a Bíblia está preocupada em mostrar à humanidade o Deus que a ela procura e com ela estabelece aliança.
Quando falamos de tempo relacionado à nós, com frequência o tratamos como uma limitação. Lemos e ouvimos que o tempo é implacável, no sentido de que ele estabelece o nosso fim e não há absolutamente nada que possamos fazer para detê-lo. Para nós o relógio passa, o tempo urge. Ele é marcado pela proximidade e urgência da morte. A máxima do carpe diem é justamente nos lembrar de que, a qualquer momento, nosso tempo passará de uma forma que não passa para o que é eterno. É como se nosso tempo tivesse surgido apenas quando Deus disse para Adão e Eva que no dia em que comessem do fruto do conhecimento do bem e do mal, eles morreriam (Gênesis 2:17). Sentimos o tempo como o nosso carrasco, carrasco surgido como consequência do pecado.
Mas, na verdade, o tempo aparece na Bíblia antes da morte. Antes do pecado.

domingo, 16 de abril de 2017

O Sábado do Silêncio



Uma vez por ano, como tradição, comemoramos a Sexta-Feira da Paixão e o Domingo de Páscoa em reconhecimento à eficácia do sacrifício de Cristo que João chama de “Cordeiro de Deus”.

Desde Gênesis, a Bíblia deixa claro que a consequência mais direta do pecado é a morte. Não apenas a consequência, mas a solução. A vergonha de Adão e Eva só é coberta pelas vestes de pele tecidas pelo próprio Deus (Genesis 3:21), a consequência do pecado de Caim é ainda mais grave, pois seu sacrifício não foi contrito e não foi aceito por Deus (Genesis 4), somente o Dilúvio pôde aplacar a maldade dos seres humanos (Genesis 6:5-8) e foi ao aspirar “aroma suave” do sacrifício de Noé que Deus prometeu nunca mais amaldiçoar a terra por causa do homem e enviar outro dilúvio (Genesis 8:20-22). O sangue nos umbrais e nas vigas das portas foi o que impediu a morte de alcançar as famílias de Israel no Egito e essa mesma morte libertou-os da escravidão (Êxodo 12) – elementos que mais tarde seriam usados por João ao retratar Cristo como o Cordeiro de Deus cujo sangue nos cobre e nos livra da escravidão do pecado e também da morte (João 1:29; 6:51, 54, 56; 8:33-35; 51; 19:29, 33-37 – relacionado a Êxodo 12:46). O sacrifício de Cristo na Sexta-Feira da Paixão derramou o sangue necessário para a remissão de pecados (Hebreus 9:22) e a sua ressurreição no Domingo de Páscoa foi a prova definitiva de que através dele a morte foi vencida.

Mas entre um dia e outro, há um dia esquecido. Um dia que ninguém lembra, um dia que só é citado nos relatos da crucificação para justificar a retirada apressada dos corpos das cruzes. O Sábado. Embora na tradição católica este seja chamado o Sábado de Aleluia e geralmente é quando fazem os bonecos de Judas e os queimam, teologicamente, nos três dias que envolvem a morte e ressurreição de Jesus, o sábado é o dia do silêncio.

quinta-feira, 23 de março de 2017

De Que é Feito o Tempo?



De que é feito o tempo?
É composto do correr dos ponteiros do relógio? É feito das sombras que se movem durante o dia até nos abraçar à noite?

O que corre em suas veias? Será o movimento dos astros ou o fluxo dos planetas?
O que tece sua superfície? As agulhas que costuram nosso destino nos prendem a ele em círculos espalhados por linhas que nos intrigam. Elas se cruzam? São paralelas? Ou não são várias, mas uma só que forma todo o nosso tudo, ora plano, ora tempestuoso?

De que é feito o tempo?

Das nossas percepções? Da maneira como nos desesperamos com os cronômetros e com as contagens regressivas? Por que ele parece tão rápido quando nos entretém e tão lento quando nos entedia e nos machuca?
São os carros velozes e informações que correm em distâncias globais em segundos que o encurtam a ponto de envelhecermos mais rápido? São as páginas dos livros que o esticam até que nos deitemos confortáveis nele?
O tempo nos assusta quando nos lembra que para nós ele tem fim. Sem ele, o que seríamos?

Nada.

Não o transcendemos. Mas o que o transcende nos fascina. Mas há algo que o transcenda?
Somos limitados a ele, mas o Eterno nos chama de dentro pra fora. Sua voz sai dos nossos ouvidos, vindo direto do coração e saindo pela boca como o último fôlego.

É a eternidade o que transcende o tempo? Ou ela é o que o estende para além de nós? Quando olho para o passado, percebo que estou de frente para ele, caminhando em direção ao meu futuro que se encontra às minhas costas.
E embora esteja dentro de mim, o Eterno está fora, e caminha comigo pelo passado, garantindo meu futuro. Ele é obscuro para mim, embora seja a luz que guia meus passos com maior clareza do que o Sol.

Salto no escuro e prossigo seguro. O tempo me acompanha lado a lado, vestido de círculos e sementes que morrem, brotam, crescem, florescem, frutificam e caem na terra para morrer novamente. Mas essas são suas vestes. De que é feita sua pele?

Quando meus olhos míopes se alinham, eu vejo vagamente pelos cantos deles a Eternidade e o Tempo se tornarem um só. Os mesmos passos, os mesmos gestos. O Eterno faz um movimento e percebo: Quando Ele se move há tempo.
E Ele sempre se move, nunca para. E enquanto ele se move, percebo o fim do meu caminho. Ele dá passos que eu não acompanho. Ele ultrapassa o meu fim e vem andando desde antes do começo. 
Meu coração dispara de medo diante do Tempo que parece crescer e encurtar a distância do meu fim.
Mas o Eterno cresce também.
Sua escuridão continua iluminando e sorrindo com seus dentes que estão sempre mastigando os ponteiros. 

Sou um pequeno fragmento de tempo em suas mãos.

Nada existe sem o Eterno. Nada age sem ele. Ele é a qualidade de tudo que é.

De que é feito o tempo?

O tempo é feito de passos curtos e longos gestos. Não os nossos. Não dos ponteiros. Nem mesmo do tecido relativo da realidade.

O tempo é feito de movimento.

O movimento do Eterno.

sábado, 4 de março de 2017

[Resenha] Vocal Livre retorna com uma mensagem a ser espalhada "Por toda a Terra"



Quando escrevi a resenha para o álbum "Bela História" do grupo Vocal Livre (leia aqui), lembro de ter enfatizado o quanto a história contada através do álbum é importante e o quanto sua mensagem é poderosa. Agora, o Vocal retorna com uma mensagem sobre a mensagem: ela precisa ser pregada "Por Toda Terra".

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

[Resenha] Gabriel Iglesias canta sobre transformação de "Pedra em Carne"



Bĕrît 'ôlām, transliterado do hebraico בְּרִית עוֹלָם, quer dizer "aliança eterna".
Aprendi a profundidade do termo aliança (berit) na Bíblia em minhas aulas de Antigo Testamento. Nas conversas, textos e livros indicados pelos professores, encontrei algumas ligações que hoje para mim parecem óbvias, mas que não pareciam antes, por mais que estivessem na cara o tempo inteiro. Assim como sempre consegui - e ainda consigo - enxergar o grande conflito cósmico entre o bem e o mal permeando todas as narrativas, poesias, profecias e conselhos bíblicos, hoje eu consigo enxergar também o retrato de uma aliança que se configura como um imenso quadro do amor e da misericórdia de Deus pela humanidade. O conceito da aliança dança graciosamente entre a intimidade da experiência individual com Deus e o senso do que nos une como humanidade.

Ainda assim, a teologia da aliança não é tão explorada quanto poderia fora do circuito teológico onde me encontro. Talvez por isso esbocei um meio sorriso de olhos fechados ao ouvir o som ao mesmo tempo intimista e "perdido na imensidão" da faixa "Berit Olam" que abre graciosamente a viagem (em todos os sentidos possíveis da palavra) que é o álbum "Pedra em Carne" de Gabriel Iglesias (sim, o mesmo do trio Igl3sias sobre o qual escrevi lá atrás em 2010).

quarta-feira, 13 de julho de 2016

7 Coisas que Tanto o Rock Quanto o Cristianismo Me Ensinaram



É uma tradição do Love, Jesus & Rock'n Soul fazer um post especial no Dia do Rock, que é dia 13 de Julho (que descobri essa semana que também é tradicionalmente considerado o Dia do Cantor).
Como sempre, o foco do texto não é se o rock pertence ao diabo, se é neutro ou se pode ser usado para louvar a Deus. Não é disso que o blog se trata, e consequentemente não é sobre isso este texto.
Mas eu aprendi algumas coisas com o meu contato com o rock em geral - seja enquanto música, enquanto expressão artística ou enquanto movimento ideológico. E são coisas que aprendi não só com o rock, mas também com a Bíblia e o cristianismo (e eu devo assumir que estes dois últimos o fizeram de forma bem mais completa e profunda). Algumas dessas coisas são positivas para a maioria das pessoas, outras são controversas, mas o fato é que essa lista une duas coisas que para a maioria parecem opostas.
Sem mais delongas, vamos à lista.

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